“Mesmo contrastando com a ausência na documentação final, o tema da transição do sistema agroalimentar entrou de vez para a agenda”

Publicado em: 27/11/2025

Atividade organizada pela Cátedra teve a participação de integrantes do Instituto Ibirapitanga, do Instituto Fome Zero, do Instituto Comida do Amanhã, do Instituto Regenera e do Cirad

A Cátedra Josué de Castro realizou na quarta-feira (26/11), o webinário “Entre promessas e caminhos: o legado da COP30 para a transição do sistema agroalimentar”, com a participação do professor titular da Cátedra Josué de Castro, Arilson Favareto, e mediação da pesquisadora da Cátedra, Fernanda Marrocos. 

O webinário contou ainda com a participação de Andre Degenszajn, diretor-presidente do Instituto Ibirapitanga; Francine Xavier, co-fundadora e diretora do Instituto Comida do Amanhã; Emiliano Graziano; um dos fundadores do Instituto Fome Zero; Fabrício Muriana, co-fundador e diretor do Instituto Regenera; e do pesquisador Patrick Caron, do Cirad, o centro francês de pesquisa agronômica e de cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável das regiões tropicais e mediterrâneas.

Em duas horas de seminário virtual, os participantes debateram como a transição dos sistemas alimentares ganhou peso nas discussões durante a COP 30, em Belém,  e como o trabalho para incluí-lo em documentos oficiais deve continuar, visto que o Brasil fica com a presidência da COP até a próxima edição, marcada para novembro de 2026, na Turquia. 

O professor titular da Cátedra, Arilson Favareto, e um dos organizadores do livro “Caminhos para a transição do sistema agroalimentar: caminhos para o Brasil”, destacou a enorme proporção que o tema ganhou na COP30 e os próximos passos até a Turquia:

“Mesmo contrastando com a ausência na documentação final, o tema da transição do sistema agroalimentar entrou de vez para a agenda. E segue em uma trajetória ascendente, com a demonstração de que o tema veio para ficar. Houve centenas de eventos sobre o tema durante a COP30. Nós temos ainda a chance nestes próximos meses até a próxima COP de trabalhar com uma janela de oportunidade com os mapas do caminho para convencer outros países a debater o tema. Falando especificamente do Brasil, nós temos a figura dos enviados (especiais da sociedade civil) que seguem trabalhando em assuntos que tem muito a ver com a agenda dos sistemas agroalimentares, que são a agricultura familiar e a agroecologia, a bioeconomia, o tema das florestas, a Amazônia. Temos que fortalecer a ação com esses enviados e buscar um ponto de convergência a partir desta ação.”

A coordenadora do Instituto Comida do Amanhã, Francine Xavier, complementou que o trabalho de incidência sobre a transição agroalimentar deve ser pela inclusão do tema nos mapas do caminho, conectando a discussão pelas emissões de gases dos sistemas alimentares, dos desmatamentos e do uso da terra. 

Francine também agradeceu a participação dos parceiros  no Pavilhão Food Roots and Routes na Blue Zone, organizado pelo Comida do Amanhã, um dos espaços que sediou diferentes debates sobre sistemas alimentares na zona oficial da conferência. “Não podemos perder a possibilidade de agirmos em conjunto. Para a próxima COP já podemos pensar em termos um pavilhão das instituições que trabalham com o tema (dos sistemas alimentares) e também estudarmos como programas locais podem servir como modelo de um plano para acelerar a convergência dos sistemas alimentares”, disse.

O pesquisador Patrick Caron destacou que desde a COP28, em Dubai, a discussão sobre sistemas alimentares vinha se apresentando como um ponto crucial para o enfrentamento das mudanças climáticas. “Há uma urgência em discutir meio ambiente ligado a questões alimentares. Tudo está conectado: meio ambiente, justiça social e crescimento econômico”, enumerou Caron.

Fabrício Muriana, diretor do Instituto Regenera, também destacou o fortalecimento da agricultura familiar, com a iniciativa “Na Mesa da COP 30”, da qual a Cátedra fez parte, e que garantiu 30% da alimentação oriunda dos agricultores familiares e comunidades tradicionais da Amazônia.

“O restaurante da SocioBio servia 4 mil refeições diárias de comida de verdade por um preço justo dentro da COP. Com ações como o banquetaço e o Na Mesa Na COP, você coloca a comida em uma discussão central”, disse.

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