A tríplice monotonia do sistema agroalimentar é uma abordagem que marca a produção científica da Cátedra Josué de Castro, inclusive com a criação de um novo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) junto ao Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, que busca mobilizar uma rede de parceiros para o seu enfrentamento e superação. Abaixo, você acessa seis episódios do podcast Alimentação e Sustentabilidade, que ajudam a compreender esse contexto.
#48: O que é a tríplice monotonia do sistema agroalimentar?
“É claro que alimentação das sociedades modernas supõe concentração produtiva, onde os grãos desempenham papel decisivo. Mas isso foi levado ao extremo, com a monotonia das paisagens agrícolas, da genética animal e, cada vez mais, daquilo que comemos, com o avanço dos produtos ultraprocessados”
Ricardo Abramovay, IEA-USP e Cátedra Josué de Castro
#50: Brasil como líder mundial em produção de soja – até quando e a que custo?
“Não realizar mudança na forma de produzir significa: reduzir as margens de lucro do produtor; colocar em risco o crescimento do PIB brasileiro, que é puxado pela soja; aumentar a pressão pela abertura de novas áreas de produção, o que leva ao desmatamento; aumentar a contaminação dos ecossistemas, perda de qualidade do solo, da biodiversidade e aumentar os riscos à saúde humana por conta do crescimento do uso de insumos químicos”
Jaqueline Ferreira, Instituto Escolhas
#45: Segurança alimentar e o uso de agrotóxicos na produção de alimentos
“Analisamos produtos ultraprocessados classificados por temas. Em todas as edições, pelo menos a metade dos produtos testados continha algum resíduo de agrotóxico, sendo o glifosato o mais detectado nas amostras. Então, grande parte da matéria-prima dos ultraprocessados é composta por alimentos que foram cultivados com emprego deste e de outros agrotóxicos”
Tamara Andrade, Idec
#39: O impacto do atual sistema agroalimentar nos índices de desmatamento
“Quando falamos sobre desmatamento, estamos nos referindo à conversão de vegetações nativas, como as florestas, em áreas para outros usos, muitas vezes para agricultura e pecuária. Um recente relatório do MapBiomas destaca que a agropecuária foi responsável por mais de 97% da perda de vegetação nativa nos últimos cinco anos. A dinâmica que costumamos observar nos biomas, especialmente Amazônia e Cerrado, é a abertura das áreas para criação de bovinos. E posteriormente, essas áreas são ocupadas por grandes plantações de uma única cultura, como soja e milho”
Estela Sanseverino, Cátedra Josué de Castro
#15: Como o bem-estar animal é garantido durante a criação para o consumo humano?
“A maior parte dos produtos de origem animal consumidos é proveniente da pecuária industrial, um sistema que busca maximizar a produção de carne, leite e ovos, mas negligencia parâmetros e práticas que garantem requisitos mínimos de bem-estar animal e sem considerar os princípios da saúde única. Para acelerar o crescimento, esses animais são submetidos a dietas baseadas em ração repletas de promotores de crescimento. Isso não representa uma alimentação adequada para suas necessidades naturais”
Karina Ishida, Proteção Animal Mundial
#9: Antibióticos e a pecuária
“A produção animal se baseia num modelo intensivo, em que os animais ficam confinados em grande número em espaços pequenos, aumentando o risco de disseminação de doenças infecciosas. Acaba sendo necessário neste modelo administrar antibióticos para o tratamento e prevenção de doenças. Além disso, também se utiliza estes medicamentos para acelerar o ganho de peso animal. Existe uma tendência mundial para banir o uso desta última finalidade, mas alguns países ainda permitem a utilização de antibióticos para este propósito”
Rafael Almeida, Fiocruz e Cátedra Josué de Castro