Instituído pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Internacional de Conscientização sobre Perdas e Desperdício de Alimentos é celebrado anualmente em 29 de setembro, para alertar governos, empresas e a sociedade sobre a urgência de combater o descarte de comida e otimizar a cadeia produtiva. De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), cerca de um terço (ou aproximadamente 1,3 bilhão de toneladas) de todos os alimentos produzidos no planeta para consumo humano é perdido ou desperdiçado anualmente.
“Nosso sistema perde uma quantidade imensa de terra para o cultivo, água utilizada na produção e emite mais gases de efeito estufa para alimentos que não serão consumidos.. Paradoxalmente, ainda temos aproximadamente 650 milhões enfrentando a fome no mundo”, destaca o professor titular da Cátedra, Walter Belik. O relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo” (SOFI 2026) mostrou que apesar dos avanços, a recuperação permanece desigual entre as regiões. Além disso, as atividades pós-produção representam de 70% a 75% do que os consumidores pagam, e até 40% do custo total se refere ao processamento, logística e atacado. Portanto, é fundamental melhorar a eficiência nesses segmentos.
A contradição da ocorrência da fome e do desperdício deve ser rediscutida, segundo Belik, já que são parte importante desse sistema alimentar que precisa ser transformado. “Há uma série de questões que envolvem a logística de distribuição, armazenamento, embalagens, hábitos de compra e o desperdício na casa das pessoas. Em função de um sistema que leva em conta a massificação do consumo e a necessidade de ofertar cada vez mais produtos, quando na verdade, se poderia trabalhar melhor as necessidades de consumo”, diz.
Evento em São Paulo
Para marcar a data, nesta terça (29), o professor Walter Belik esteve acompanhando um evento promovido pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em sua sede, em São Paulo. O encontro “Inovações tecnológicas e sociais para transformação dos sistemas alimentares”, contou com uma programação que destacou medidas para redução de desperdício de frutas e verduras, tecnologias pós-colheita e formas de fortalecer a conexão entre varejo e Banco de Alimentos.
